Leishmaniose em Altamira exige atenção e prevenção constante

Doença transmitida pelo mosquito-palha afeta populações urbanas e rurais da região Xingu, exigindo diagnóstico rápido nas Unidades Básicas de Saúde.

A leishmaniose permanece como um dos principais desafios de saúde pública na região do Xingu, no Pará. Em Altamira, a expansão urbana e o contato frequente de trabalhadores com áreas de mata criam o cenário ideal para a circulação da doença — com alta incidência registrada tanto na Zona Rural quanto em bairros periféricos da cidade.

Causada por um protozoário e transmitida pela picada do mosquito-palha (conhecido localmente como birigui ou tatquira), a enfermidade se manifesta principalmente em duas formas: a Leishmaniose Tegumentar (LTA), que provoca feridas na pele e mucosas, e a Leishmaniose Visceral (Calazar), que afeta órgãos internos como fígado e baço, podendo levar à morte se não for tratada a tempo.

Onde buscar atendimento em Altamira

O tratamento para a leishmaniose é gratuito e oferecido exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao notar os primeiros sintomas — como feridas na pele que não cicatrizam e têm bordas elevadas, ou febre prolongada acompanhada de emagrecimento —, a orientação é procurar atendimento nos seguintes pontos de saúde da cidade:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): O primeiro atendimento deve ser feito no posto de saúde mais próximo do seu bairro. As equipes realizam a triagem, coleta de exames e encaminhamento para o protocolo medicamentoso.
  • Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h de Altamira: Voltada para quadros clínicos mais urgentes ou quando há suspeita de leishmaniose visceral em estágio avançado.
  • Hospital Regional do Xingu: Referência para os casos complexos ou que necessitam de internação hospitalar e acompanhamento especializado.
  • Vigilância Epidemiológica e Centro de Controle de Zoonoses (CCZ): Responsáveis pela testagem canina e ações de borrifação e controle do vetor no município.

Como prevenir o contágio

Como o mosquito-palha se reproduz em locais úmidos com acúmulo de matéria orgânica (folhas secas, fezes de animais e entulhos), as principais medidas de combate envolvem ações ambientais e de proteção individual:

  1. Limpeza do quintal: Remova folhas secas, restos de queimadas, resíduos orgânicos e fezes de animais de estimação do redor da casa.
  2. Proteção individual: Em áreas de mata ou ao entardecer/amanhecer (horário de maior atividade do vetor), use repelentes recomendados, roupas de manga longa e calças compridas.
  3. Barreiras físicas: Instale telas de malha fina em portas e janelas e utilize mosquiteiros para dormir.
  4. Cuidado com os animais domésticos: Os cães são reservatórios urbanos da doença. Mantenha-os com coleiras repelentes à base de deltametrina e passeie com eles longe de áreas de mata nos horários de pico do inseto.

A detecção precoce é crucial para impedir o agravamento da doença e garantir a cura. Caso identifique feridas suspeitas ou alteração na saúde do seu animal, procure imediatamente o posto de saúde mais próximo.

A preservação e o monitoramento da leishmaniose na região amazônica demandam constante conscientização das comunidades locais sobre a proliferação dos vetores. Para entender melhor o impacto de surtos na região e ver como autoridades públicas lidam com a prevenção de casos, assista a esta reportagem que detalha os alertas sobre a leishmaniose no Norte