Adiamento de concessão hidroviária no Norte ameaça abastecimento e logística no Pará

Além dos combustíveis, a hidrovia é o meio utilizado para transportar alimentos, medicamentos e insumos básicos na calha do Tapajós.

O adiamento da concessão de hidrovias na Região Norte do Brasil pode provocar um colapso logístico e forçar a inclusão de até 22 mil caminhões por ano em rodovias nacionais em um cenário extremo, segundo alerta o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). A entidade aponta que a falta de dragagem e manutenção periódica nas vias navegáveis ameaça diretamente a navegação no Rio Tapajós, com impactos profundos na economia e no cotidiano do Estado do Pará.

No território paraense, o gargalo hidroviário atinge áreas estratégicas do sudoeste do estado e o dinâmico polo de Santarém. O Rio Tapajós serve como artéria vital para o envio de mais de 1,36 milhão de metros cúbicos de combustíveis anualmente, abastecendo 17 municípios no Pará e em Mato Grosso. A interrupção ou restrição dessa rota coloca em risco a segurança do suprimento de derivados de petróleo e biocombustíveis direcionados a mercados como Santarém e cidades do interior paraense, além de sobrecarregar rodovias críticas como a BR-163.

Além dos combustíveis, a hidrovia é o meio utilizado para transportar alimentos, medicamentos e insumos básicos na calha do Tapajós. Com a navegabilidade reduzida — cenário agravado por eventos climáticos extremos e severas secas —, os custos do frete tendem a disparar, pressionando os preços finais ao consumidor paraense e sobrecarregando a infraestrutura viária terrestre do estado.

O IBP avalia que discussões ambientais e sociais, embora legítimas, vêm travando projetos estruturantes. A entidade defende que o País evite que "micropolíticas" se sobreponham a uma "macropolítica" logística capaz de integrar rodovias, ferrovias e hidrovias. Sem a garantia das concessões e dos serviços de dragagem, a logística de transição energética e o abastecimento de mais de 7,5 milhões de habitantes na região ficam sob constante ameaça.