Altafolia: Bloco da Inclusão abre espaço para alegria no Carnaval

Entre os foliões, os integrantes do bloco desfilaram com experiência e elegância

O som das músicas infantis ecoava pelo corredor da folia, transformando o trio elétrico em um convite aberto à alegria. No comando, Sandrinha dos Teclados e Andreia Show animavam o público com canções que despertavam memórias, arrancavam risos e faziam crianças, jovens e idosos dançarem juntos.

Era o bloco da “Inclusão” passando e, com ele, histórias de vida, superação e pertencimento ganhavam o Altafolia 2026. No meio da multidão, Emily Oliveira da Silva, de 22 anos, vivia o momento do seu jeito, cercada de cuidado e amor. Autista e com síndrome de Down, ela encontrou no bloco um espaço de convivência e liberdade.

Ao lado, a mãe, Marlene do Carmo Oliveira, acompanhava cada detalhe com o olhar atento de quem conhece bem a rotina mais reservada da filha. Para ela, aquele momento tinha um significado especial. “Foi muito bom, porque a gente fica só em casa, é uma vez por ano, mas traz eles pra interagir com a população. Eu achei muito bom. Então, é o fato deles interagirem com outras pessoas e a festa, pra fugir da rotina”, afirmou.

Não muito longe dali, com um sorriso tímido e o olhar iluminado, Isabela Regina, de 11 anos, parecia viver um conto de carnaval. Vestida com o abadá do bloco, saia preta e um adereço brilhante na cabeça, ela representava a nova geração que já cresce entendendo que a festa é um espaço de todos.

Ao lado da mãe e do irmão, ela observava cada detalhe, encantada com o movimento, as cores e as pessoas. “Eu acho muito bom porque todas as crianças vêm para cá e tem comida de graça e todo mundo se diverte, então eu acho muito bom. Achei muito legal, eu gostei bastante”, disse.

Entre os foliões, a experiência também desfilava com elegância. Maria das Graças Costa, de 73 anos, caminhava com tranquilidade, carregando no peito a faixa do projeto “Vem Dançar”, iniciativa da Prefeitura de Altamira que reúne pessoas para atividades de dança na Orla da cidade.

Com um lenço colorido na cabeça e uma blusa verde brilhante com franjas, ela mostrava que o espírito do carnaval não tem idade. Para ela, estar ali era também uma forma de representar muitos outros. “Tá muito bonito, tá muito lindo e eu represento também o “Vem Dançar”. Desejo que as pessoas tenham mais consideração com os idosos, porque nós merecemos”.

A emoção também tomava conta de Francisca Francesa, de 74 anos. Com cabelos longos completamente grisalhos e olhar firme, ela carregava no rosto as marcas do tempo e, no coração, a alegria de viver algo que não pôde na juventude.

estindo o abadá azul do bloco da “Inclusão” e um adereço colorido na cabeça, ela fazia questão de participar de cada momento. “O meu sentimento de estar aqui é só de gratidão, porque quando eu era jovem eu não tive oportunidade de vir aqui brincar carnaval. Então, hoje a gente tem essa oportunidade, é muita gratidão”.

Criado em 2025, o bloco da “Inclusão” nasceu com um propósito que vai além da festa: mostrar que o carnaval é um espaço democrático, onde todos têm vez, voz e direito de participar. E isso se refletiu na diversidade de quem ocupava a avenida.

Participaram usuários da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), da Associação Desportiva para o Deficiente do Polo de Inclusão Xingu (Adepix), da Associação TEAs do Xingu, da Associação de Surdos de Altamira, Xingu e Transamazônica (Asaxt), do Instituto Cultural Educacional e Profissionalizante dos Surdos de Altamira (Icepsa) e do Serviço de Convivência e de Fortalecimento de Vínculos (SCFV).

A presença da equipe da Secretaria Municipal da Gestão do Meio Ambiente (Semma), com personagens que chamavam atenção para a sustentabilidade, também reforçou que inclusão é olhar para todos os aspectos da vida em comunidade, inclusive o cuidado com o planeta.

Ao final do percurso, o sentimento era de missão cumprida. A vice-prefeita de Altamira, Thais Nascimento, resumiu o significado daquele momento. “Vocês estão aqui porque vocês acreditam na nossa luta pela causa. E hoje a gente fez bonito aqui na avenida e mostramos que o Altafolia é para todos. É para quem gosta, é para quem acredita e é para quem tem o direito de se divertir na nossa luta. Então, quero agradecer a cada folião aqui, a cada associação que está aqui presente hoje. Para nós, é um sentimento de muita alegria receber vocês e fazer esse bloco que é o bloco do amor, o bloco do respeito, o bloco da inclusão”.

O Altafolia 2026 é uma realização da Prefeitura de Altamira e do Instituto de Ciências da Arte, Cultura e Esporte da Amazônia (Icacea), com apoio do Banco do Estado do Pará (Banpará), da Secretaria de Turismo do Pará (Setur) e do Governo do Pará.