Apreensões de fuzil no Pará inflam 360% com avanço das facções

Estado se consolida entre as maiores altas do país em armamento pesado com a interiorização do crime organizado.

O avanço das disputas territoriais de facções criminosas alterou radicalmente o perfil do arsenal apreendido no Pará. Empurrado pela expansão de grupos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) para além do eixo Rio-São Paulo, o estado registrou um salto de 360% nas apreensões de fuzis, segundo dados do estudo “A nova cadeia de suprimentos do crime”, do Instituto Sou da Paz.

O resultado coloca o Pará na segunda posição entre os maiores crescimentos percentuais do país na apreensão dessas armas de grosso calibre, atrás apenas da Bahia (392,9%) e à frente do Ceará (263,6%). O indicador reflete um movimento nacional de proliferação de armas pesadas que atingiu em cheio as regiões Norte e Nordeste. Em todo o Brasil, o recolhimento de fuzis saltou 164,8%, passando de 807 unidades em 2021 para 2.137 em 2025.

Especialistas e autoridades apontam que a alta circulação desse armamento está diretamente associada às estratégias de domínio territorial das quadrilhas. Para além do contrabando tradicional, a interiorização do crime organizado no estado passa a dialogar com novas dinâmicas do mercado bélico, que incluem:

  • Substituição de fontes: Redução das apreensões por tráfico internacional pela Polícia Federal e maior dependência do mercado interno.
  • Aumento de armas curtas: Migração de revólveres para pistolas (que saltaram de 20,7% para 27,8% do total de armas recolhidas no país), impulsionada por mudanças legislativas que flexibilizaram o acesso a calibres como a 9mm entre 2019 e 2022.
  • Tecnologia clandestina: Difusão das ghost guns (armas sem numeração, produzidas via impressão 3D e usinagem caseira), cujo projeto sem rastreamento facilita o abastecimento do crime.

A escalada bélica no território paraense evidencia como o fuzil deixou de ser uma exclusividade do crime do Sudeste para se consolidar como a principal ferramenta de força e controle territorial das facções no Norte do país.