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Muvuca de sementes nativas impulsiona restauração ecológica em Altamira

Unidade demonstrativa na Embrapa serve como vitrine acessível para técnicas de reflorestamento com apoio da comunidade.

Uma nova estratégia de recuperação ambiental está ganhando espaço e visibilidade no Pará. Implantada no final de fevereiro no Campo Experimental da Embrapa Amazônia Oriental (km 23 da BR-230), em Altamira, uma unidade demonstrativa de restauração ecológica com muvuca de sementes nativas já apresenta os primeiros resultados visíveis do plantio.

A iniciativa — promovida pelo Instituto Socioambiental (ISA) através das redes Caminhos da Semente e Redário, em parceria com a Embrapa, Centro Capoeira e UFPA — busca conectar o conhecimento científico às práticas tradicionais de campo.

Conexão entre prática e teoria

A semeadura direta ocorreu durante o dia de campo “Restauração ecológica com semeadura direta e muvuca de sementes”, reunindo um público diverso que incluiu coletores de sementes da Rede Sementes da Terra do Meio, estudantes, pesquisadores e representantes da Emater e de universidades locais.

“O objetivo principal dessa unidade demonstrativa é que se torne uma vitrine das técnicas de restauração aqui na região. Escolhemos estrategicamente o campo experimental da Embrapa para que as pessoas que não conhecem possam acessar esse espaço que é bem mais perto da cidade”, destaca Miguel Gama, técnico em restauração ecológica do ISA.

Para muitos participantes, o evento marcou o primeiro contato direto com a técnica da muvuca — método que consiste na mistura de sementes de diversas espécies nativas e adubos verdes lançadas diretamente ao solo.

Monitoramento e escala regional

Além de servir como ponto de visitação contínua para produtores e estudantes locais, o espaço funcionará como um laboratório vivo para acompanhamento técnico.

Conforme explica Matheus Rezende, também técnico do ISA, a área será utilizada para o monitoramento de indicadores ecológicos durante futuros encontros de campo:

  • Troca de saberes: Articulação entre conhecimento acadêmico, saberes tradicionais e demandas práticas dos produtores.
  • Fortalecimento da cadeia: Estímulo ao trabalho dos coletores de sementes locais da Terra do Meio.
  • Capacitação: Adaptação da técnica de semeadura direta a diferentes realidades e solos da região.

A ação conta com suporte financeiro da Fundação Bezos para a Terra e consolida uma rede de colaboração multissetorial voltada à restauração de ecossistemas degradados na Amazônia.