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Projeto Gencau coloca Altamira no mapa da alta produtividade de cacau no Pará

Iniciativa impulsiona técnicas sustentáveis e eleva o rendimento das lavouras cacaueiras na região da Transamazônica.

O município de Altamira, localizado no Oeste do Pará, vem consolidadando sua posição como um dos maiores polos da cacaicultura nacional graças aos avanços do Projeto Gencau (Genética e Produtividade do Cacau). A iniciativa tem transformado o perfil produtivo das propriedades rurais ao introduzir técnicas modernas de manejo, seleção clonal de alto rendimento e recuperação de áreas degradadas ao longo da Rodovia Transamazônica.

A atuação do Gencau foca no fornecimento de mudas geneticamente superiores, com maior resistência a pragas severas — como a vassoura-de-bruxa — e adaptadas ao solo e clima da Amazônia Paranaense. Além disso, o projeto promove a assistência técnica contínua para os pequenos e médios produtores da região, incentivando a adoção de Sistemas Agroflorestais (SAFs), que combinam a lavoura cacaueira com a preservação de espécies nativas da floresta.

Com o incremento da produtividade por hectare, Altamira reforça a liderança do Pará como o maior produtor de cacau do Brasil, gerando empregos diretos no campo, impulsionando a bioeconomia local e agregando valor às amêndoas destinadas aos mercados nacional e internacional de chocolates finos.

O Projeto Gencau, focado na modernização da cacaicultura em Altamira e na região da Transamazônica, combina biotecnologia vegetal com práticas sustentáveis de manejo no campo. O objetivo principal é maximizar a produtividade por hectare sem a necessidade de novos desmatamentos.

As principais técnicas integradas ao projeto dividem-se em dois eixos centrais:

1. Inovação Genética e Seleção Clonal

  • Clonagem de Variedades Superioras: Utilização de material genético de alto rendimento adaptado ao microclima da Amazônia, com foco na resistência a doenças devastadoras, especialmente a vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa) e a podridão-parda (Phytophthora spp.).
  • Propagação Vegetativa (Enxertia): Emprego da enxertia (por garfagem ou borbulhia) para clonar plantas com características agronômicas desejáveis, garantindo lavouras padronizadas, de porte reduzido e precoces na primeira colheita.
  • Seleção para Qualidade Amendoeira: Priorização de clones com elevado teor de manteiga de cacau e perfis sensoriais diferenciados (notas frutadas e florais), atendendo à demanda do mercado de chocolates finos e bean-to-bar.

2. Técnicas Agrícolas e Manejo de Campo

  • Sistemas Agroflorestais (SAFs): Cultivo do cacaueiro sob o sombreamento de árvores nativas da Amazônia (como ipês, andirobas e castanheiras) ou de espécies econômicas (como a seringueira e a banana). Isso protege as plantas jovens do sol excessivo, melhora a retenção de umidade no solo e diversifica a renda do produtor.
  • Poda Formativa e de Limpeza: Adição de rotinas rigorosas de poda para erguer a copa, melhorar a ventilação interna da planta e permitir a entrada de luz, o que reduz drasticamente a proliferação de fungos.
  • Adubação de Precisão e Manutenção do Solo: Análise química e física periódica do solo para aplicação racional de nutrientes (macro e micronutrientes), aliada ao uso de cobertura morta (mulching) para proteger o solo da erosão provocada pelas chuvas intensas da região.
  • Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP): Combinação de controle biológico, remoção manual diária de frutos doentes (remoção de "vassouras") e uso reduzido de defensivos agrícolas.