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Norte lidera proporção de inadimplentes no país e Pará reflete avanço do endividamento

No Pará, estado mais populoso do Norte, o avanço da inadimplência acompanha a pressão socioeconômica sobre o orçamento das famílias e das empresas locais.

A Região Norte registrou a maior proporção de consumidores positivados em cadastros de inadimplência do país em agosto de 2026. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, divulgado nesta terça-feira (15), cerca de 6,82 milhões de pessoas estavam negativadas no período, o que representa 48,03% da população adulta regional.

O avanço da inadimplência no Norte reflete uma alta de 6,38% no número de devedores e de 12,62% no volume de dívidas acumuladas em 12 meses — ambos os índices ocupam a segunda maior variação nacional, atrás apenas da Região Sul. O cenário afeta também o setor produtivo local: a inadimplência empresarial no Norte subiu 13,18%, enquanto o volume de dívidas das empresas avançou 16,14%, superando a média nacional. Na comparação mensal com julho, porém, a região teve recuos pontuais de 1,14% em devedores e de 1,16% em dívidas.

No Pará, estado mais populoso do Norte, o avanço da inadimplência acompanha a pressão socioeconômica sobre o orçamento das famílias e das empresas locais. A combinação de dependência de crédito de emergência para custear gastos essenciais e a elevação das taxas de juros tem dificultado a recuperação da liquidez e a manutenção dos pagamentos em dia no estado.

Cenário Nacional

Em todo o país, o número de inadimplentes chegou a 73,71 milhões em agosto, alcançando 43,90% dos adultos brasileiros. Cada devedor deve, em média, R$ 5.190,28, distribuídos entre 2,34 credores. Dívidas de até R$ 1.000,00 somam 40,97% do total.

Perfil da Inadimplência no Brasil

  • Faixa etária mais afetada: 30 a 39 anos (17,95 milhões de pessoas, ou 52,97% do grupo).
  • Gênero: 51,42% mulheres e 48,58% homens.
  • Principais credores: Bancos lideram com 65,80% do total de dívidas, seguidos por Água e Luz (10,04%) e Comércio (8,32%).
  • Maior alta por setor: Comunicação teve o maior crescimento anual em dívidas (14,94%).

Segundo a CNDL, o endividamento deixou de ser episódico para se tornar um recurso de sobrevivência diante do custo de vida. Sem reformas estruturais na renda e no crédito, renegociações pontuais oferecem apenas alívio temporário.