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Safra de grãos 2026/27 pode atingir 366,6 milhões de toneladas

A demanda aquecida é sustentada pela indústria de etanol de cereais, pela produção de rações para aves e suínos e pela expectativa de exportar 46 milhões de toneladas.

A produção brasileira de grãos na safra 2026/27 pode registrar um recorde e alcançar 366,6 milhões de toneladas. A projeção positiva consta na 14ª edição do boletim Perspectivas para a Agropecuária, divulgado nesta terça-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Banco do Brasil (BB).

O avanço na colheita total é impulsionado pelo crescimento da área semeada no país, estimada em 85,3 milhões de hectares. Essa expansão territorial compensa a ligeira redução esperada na produtividade média nacional, que deve passar de 4.335 kg/ha para 4.296 kg/ha no novo ciclo.

Entre os principais destaques da temporada está o milho, que apresenta tendência de forte crescimento impulsionada tanto pelo consumo interno quanto pelo mercado exterior. A produção total do cereal pode somar 148 milhões de toneladas — uma alta de 2,8% em relação ao ciclo anterior. O resultado é puxado pela primeira safra, que projeta colher 32,1 milhões de toneladas (o maior volume dos últimos 13 anos), e pela segunda safra, estimada em 113,2 milhões de toneladas. A demanda aquecida é sustentada pela indústria de etanol de cereais, pela produção de rações para aves e suínos e pela expectativa de exportar 46 milhões de toneladas.

A soja também projeta números expressivos, com previsão de colheita de 181,64 milhões de toneladas. No entanto, o avanço da área cultivada da oleaginosa — prevista em 49,3 milhões de hectares (alta de 1,4%) — representa o menor crescimento percentual dos últimos 20 anos, em um cenário de produtividade ajustada após o elevado patamar da safra 2025/26.

Já as culturas de arroz e feijão apresentam cenários de estabilidade ou retração na produção devido a margens econômicas e riscos climáticos:

  • Arroz: Apesar de um leve incremento de 0,9% na área plantada (1,53 milhão de hectares), a produção deve recuar 2,9%, totalizando 10,76 milhões de toneladas em razão da queda na produtividade média.
  • Feijão: A produção deve se manter estável em cerca de 2,9 milhões de toneladas, com o ligeiro aumento de área sendo neutralizado por perdas de rendimento ligadas ao impacto do fenômeno El Niño.
  • Algodão: A cultura retoma patamares anteriores, podendo ocupar 2,09 milhões de hectares e alcançar 4,2 milhões de toneladas apenas em pluma, sustentada principalmente pela demanda internacional.

Além do panorama de grãos, o estudo da Conab e do Banco do Brasil traz análises sobre o abastecimento interno, as perspectivas para as cadeias de carnes bovina, suína e de aves até 2027, e o papel do crédito rural no desenvolvimento do setor.